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O melhor investimento nem sempre é o melhor investimento para você

Um investimento pode ser excelente e, ainda assim, não fazer sentido para determinado investidor. Porque investimentos não existem isoladamente.

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Equipe Elum

Elum

22 de julho de 20266 min de leitura
O melhor investimento nem sempre é o melhor investimento para você

No mercado financeiro, existe uma pergunta que aparece com frequência:

“Qual é o melhor investimento hoje?”

Pode ser o fundo que mais rendeu.

O título de renda fixa com a maior taxa.

A ação com maior potencial de valorização.

Ou a estratégia que está funcionando melhor naquele momento.

A pergunta parece simples.

Mas talvez esteja começando pelo lugar errado.

Um investimento pode ser excelente e, ainda assim, não fazer sentido para determinado investidor.

Porque investimentos não existem isoladamente.

Eles fazem parte de um patrimônio, possuem objetivos diferentes e precisam conviver com necessidades de liquidez, riscos, impostos e horizontes de tempo.

Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja:

“Qual é o melhor investimento?”

Mas:

“Qual investimento faz sentido para mim?”

Rentabilidade é apenas uma parte da decisão

É natural comparar investimentos pela rentabilidade.

Afinal, o objetivo de investir é também fazer o patrimônio crescer.

O problema aparece quando o retorno passa a ser o único critério de decisão.

Um investimento com maior potencial de retorno pode também apresentar:

  • Maior risco
  • Menor liquidez
  • Prazo mais longo
  • Maior volatilidade
  • Tributação diferente
  • Maior concentração

Nenhuma dessas características torna o investimento necessariamente ruim.

Elas apenas mostram que rentabilidade, isoladamente, diz pouco sobre sua adequação.

O investimento precisa ter uma função

Imagine dois investidores com R$ 1 milhão.

O primeiro pretende utilizar parte relevante dos recursos nos próximos dois anos para comprar um imóvel.

O segundo está construindo patrimônio para aposentadoria daqui a vinte anos.

Mesmo que possuam exatamente o mesmo patrimônio, dificilmente deveriam tomar todas as mesmas decisões.

Um precisa priorizar liquidez e previsibilidade em parte relevante dos recursos.

O outro possui um horizonte muito maior e pode avaliar riscos de maneira diferente.

O patrimônio é igual.

O objetivo não.

É por isso que uma carteira deveria começar pela função que o dinheiro precisa cumprir e não pelo produto disponível naquele momento.

Liquidez também tem valor

Um dos aspectos mais subestimados na busca por rentabilidade é a liquidez.

Alguns investimentos oferecem condições potencialmente mais atrativas justamente porque exigem que o investidor permaneça por períodos maiores ou aceite maior dificuldade para acessar os recursos.

Isso pode fazer sentido.

Desde que esteja alinhado ao objetivo daquele dinheiro.

O problema surge quando um investimento de longo prazo é utilizado para uma necessidade de curto prazo.

Nesse caso, uma taxa aparentemente melhor pode acabar criando um problema maior do que o benefício esperado.

Liquidez não aparece como rentabilidade.

Mas possui valor.

Risco não deveria ser analisado isoladamente

Outro erro é avaliar o risco de um investimento sem considerar o restante do patrimônio.

Um ativo pode representar uma pequena exposição dentro de uma carteira amplamente diversificada.

Ou pode ampliar uma concentração que o investidor já possui.

Um empresário, por exemplo, pode ter grande parte de sua riqueza vinculada à própria empresa.

Adicionar investimentos expostos ao mesmo setor ou aos mesmos fatores econômicos pode aumentar ainda mais essa dependência.

Por isso, a pergunta não deveria ser apenas:

“Esse investimento é arriscado?”

Mas também:

“Que risco ele adiciona ao meu patrimônio?”

Tributação pode mudar o resultado

Dois investimentos com rentabilidades brutas semelhantes podem produzir resultados líquidos diferentes.

Imposto de renda.

Benefícios tributários.

Prazo.

Momento do resgate.

Estrutura utilizada.

Todos esses fatores podem influenciar o resultado final.

Isso se torna especialmente relevante em patrimônios maiores, nos quais pequenas diferenças acumuladas ao longo de muitos anos podem representar valores significativos.

Comparar apenas a taxa ou a rentabilidade apresentada pode esconder parte importante da decisão.

O restante da carteira importa

Um investimento nunca deveria ser analisado completamente sozinho.

Imagine uma carteira já fortemente concentrada em crédito privado.

Surge uma nova oportunidade de crédito com uma taxa muito atrativa.

Isoladamente, ela pode parecer excelente.

Mas talvez o patrimônio não precise de mais crédito.

Talvez precise de liquidez.

Diversificação.

Exposição internacional.

Ou simplesmente de nenhuma mudança.

O melhor produto disponível pode não ser aquilo que a carteira precisa naquele momento.

O investimento da moda pode não resolver nenhum problema

Os mercados passam por ciclos.

Em determinados momentos, algumas classes de ativos recebem enorme atenção.

Fundos imobiliários.

Ações.

Crédito privado.

Investimentos internacionais.

Criptoativos.

Estruturados.

Isso não significa que essas classes sejam boas ou ruins.

O problema começa quando a popularidade passa a substituir o planejamento.

Antes de adicionar qualquer investimento à carteira, uma pergunta simples pode ajudar:

“Qual problema patrimonial esse investimento está resolvendo?”

Se a resposta não estiver clara, talvez a decisão esteja sendo guiada mais pela oportunidade do momento do que pela estratégia.

Complexidade não significa qualidade

Investidores de maior patrimônio normalmente têm acesso a um universo muito maior de produtos.

Fundos exclusivos.

Estruturas internacionais.

Produtos estruturados.

Crédito privado.

Investimentos alternativos.

Soluções sofisticadas podem ser extremamente úteis em determinados contextos.

Mas sofisticação não deveria ser um objetivo por si só.

Uma estrutura complexa só agrega valor quando resolve um problema real.

Caso contrário, pode simplesmente adicionar:

  • Custos
  • Riscos
  • Baixa liquidez
  • Dificuldade de acompanhamento
  • Complexidade desnecessária

Uma carteira simples e coerente pode ser superior a uma carteira sofisticada sem propósito claro.

Uma boa recomendação começa antes do produto

Antes de recomendar qualquer investimento, existe uma série de perguntas que deveriam vir primeiro.

Qual é o objetivo?

Qual é o horizonte?

Quanto de liquidez será necessário?

Quais riscos já existem no patrimônio?

Qual é a situação tributária?

Como esse investimento se relaciona com o restante da carteira?

Só depois dessas respostas o produto deveria entrar na conversa.

Isso também ajuda a entender o papel de um bom profissional financeiro.

Seu trabalho não deveria ser apenas encontrar investimentos interessantes.

Deveria ser ajudar a identificar quais deles fazem sentido dentro de uma estratégia patrimonial.

Conclusão

Não existe um único “melhor investimento”.

Existe um investimento mais adequado para determinado objetivo, patrimônio e momento.

Rentabilidade importa.

Mas liquidez importa.

Risco importa.

Tributação importa.

Diversificação importa.

E, principalmente, objetivos importam.

A busca constante pelo investimento que mais rende pode fazer o investidor perder de vista uma pergunta muito mais importante:

“O que meu patrimônio realmente precisa?”

Porque uma boa decisão de investimento não começa procurando o melhor produto.

Começa entendendo o investidor.

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